quinta-feira, 24 de maio de 2012
Casa Arrumada
Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.
Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987)
domingo, 13 de maio de 2012
A conexão mágica. Uma crônica para mães e filhos.
“Não existe forma mais avançada de conexão que o sentimento. E nós conhecemos a fórmula desde o dia em que nascemos. Feliz Dia das Mães”.
Sim…todos conhecemos e vivenciamos, em algum ou muitos momentos da vida, essa conexão mágica que nos une a alguém, que estabelece laços e relações tão intrinsecamente fortes que estão além ou independentes dos sofisticados instrumentos tecnológicos. Mães e filhos conhecem isso. Embora através da vida tantas vezes permitam que isso se perca, ou que não se solidifique na vivência dos anos que passam, perdendo – ou ganhando, sei lá – um tempo precioso de uma encantada relação que expressa o sentimento mais louco que existe.
Porque ninguém se prepara para ser mãe, ninguém em posse de sua consciência pode afirmar que sabe ou domina todos os itens daquele intrincado fluxograma de funções e sentimentos que vão brotar assim de repente, como uma chuva rápida e intensa em tarde de verão. Mas um dia aquela imensa barriga vira algo que pisca os olhinhos, que clama por cuidados, que cheira gostoso e ruim ao mesmo tempo, que ocupa sua casa, sua vida e sua alma como se nenhuma outra experiência na vida tivesse antes sido capaz de fazê-lo.
Se existe experiência empírica na vida, a de ser mãe larga na frente com corpos e corpos de vantagem. E ainda assim, mesmo diante do imenso desconhecido que aquela aventura reflete, a mágica conexão se estabelece, desenhando uma sintonia tão plena, como se a vida nos tivesse sido oferecida para o instante encantado em que geramos, gestamos e sentimos. Ou se não geramos e nem gestamos, mas só sentimos. Ou se fomos gerados e gestados e agora, maduro que somos, só sentimos.
Não acredito em amores imponderáveis, acima e além das agruras, das dores, marcas e perdas que a vida nos oferece. Mesmo entre mães e filhos, a estrada da vida não raras vezes nos leva aos caminhos tortos onde o baú dos sentimentos se rompe, deixando perder peças que não permitem que o quebra-cabeças se reconstrua do jeito que já foi um dia. Mas ainda assim há na memória afetiva os sinais que acionam a lembrança de uma conexão que perdura, que pode sempre ser retomada, que jamais se perdeu completamente entre as frequências instáveis e difusas da vida que a gente escolheu.
Somos novas pessoas a cada dia, e novas mães, e novos filhos também. Queremos muito, sofremos bastante e oferecemos, às vezes, tão pouco. Mas a mágica conexão nos possibilita voltar sempre e reconstruir a história, ou simplesmente contá-la de um jeito diferente. Nascemos filhos, viramos mães e voltamos a ser filhos, essa é a verdadeira imponderabilidade da vida. Saber preservar essa incrível conexão, a mais fantástica ferramenta tecnológica já construída, é que a grande aventura.
À minha mãe, que hoje, está ao lado de Deus Pai, todo poderoso, a quem cuidei com o olhar de mãe, meu amor imenso. Às minhas filhas, com quem reconstruo a cada dia, ou de tempos em tempos, o aprendizado do que é ser mãe e filha, com todos os erros e acertos que essa montanha-russa às cegas nos oferece, meu amor intenso e, por que intenso, inexplicável. Às minhas netas, que hoje são a razão do meu viver!
Feliz Dia das Mães!
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Traduzir-se
Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim, pesa
Pondera
Outra parte, delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte noutra parte
Que é uma questão de vida ou morte
Será arte?
Será arte?
Veja este vídeo no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=lPZsNQZMC9c&feature=youtube_gdata_player
Claudia Lins
Enviado via iPhone
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim, pesa
Pondera
Outra parte, delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte noutra parte
Que é uma questão de vida ou morte
Será arte?
Será arte?
Veja este vídeo no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=lPZsNQZMC9c&feature=youtube_gdata_player
Claudia Lins
Enviado via iPhone
sexta-feira, 13 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
Amo como ama o amor...
Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra razão
para amar senão amar.
Que queres que te diga,
além de que te amo,
se o que quero dizer-te é que te amo?
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Borboletas (Mário Quintana)
Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de
se decepcionar é grande.
As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.
Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.
O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
As fontes revitalizadoras
O dia a dia, a rotina demandam um movimento contínuo, repetitivo, aparentemente inerte.
O sentido de organização determina que certas rotinas devam ser estabelecidas, de modo que o trabalho seja realizado com primor, disciplina e organização. Mas, em meio a rotinas, à repetição, surge sempre a necessidade do novo.
O ser humano está em constante desenvolvimento e novos horizontes precisam, continuamente, ser vislumbrados. É este o alimento da alma, enquanto ao corpo bastam a comida e a bebida… a alma, definitivamente, alimenta-se de expansão.
E algumas pessoas limitam-se, ingenuamente, às rotinas, ignorando a própria fome existencial. Agem como crianças famintas e ignorantes, exigindo que um terceiro compreenda-lhe as necessidades.
Sentem tédio, enclausuramento, falta de sentido, que são piores do que prisão. É a prisão mental, uma restrição às próprias formas de pensar, às próprias soluções e métodos; é um não ter para onde ir, ainda que se caminhe trezentos quilômetros por dia.
Ir além requer, acima de tudo, saber chegar-se às fontes revitalizadoras: ouvir uma boa música, ler um bom livro, ver um filme, ouvir uma palestra com alguém que seja, de fato, inspirador e propulsionador de novas formas de pensar.
É discernir entre o momento em que se ajuda e aquele em que se é ajudado. É ajudar-se. É um trabalho importantíssimo, que deve ser constante, tal qual as refeições, tal qual a higienização do corpo.
Acredito ser esta a gasolina da vida.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
PEDIDO DE DEMISSÃO
PEDIDO DE DEMISSÃO
Venho através desta, apresentar oficialmente meu pedido de demissão da categoria dos adultos.
Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as ideias de uma criança de 8 anos, no máximo.
Quero acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas.
Quero acreditar que tudo é possível.
Quero que as complexidades da vida passem despercebidas por mim, e quero ficar encantado com as pequenas maravilhas deste mundo...
Quero de volta uma vida simples e sem complicações.
Cansei-me dos dias cheios de computadores que falham,montanhas de papeladas, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e,
Da necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe!!!
Não quero mais, ter que inventar jeitos para fazer o dinheiro chegar até ao dia do próximo vencimento.
Não quero mais ser obrigado a dizer adeus às pessoas queridas e, com elas, a uma parte da minha vida!
Quero ter a certeza de que DEUS está no céu, e de que por isso tudo está direitinho neste mundo...
Quero viajar à volta do mundo, num barquinho de papel que vou navegar numa poça deixada pela chuva.
Quero jogar pedrinhas na água,e ter tempo para olhar as ondas que elas formam.
Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e, ficar com a cara toda lambuzada.
Quero ficar feliz quando amadurecer o primeiro morango, a primeira maçã ou, quando a cerejeira ficar cheiinha de frutos
Quero poder passar as tardes de verão, numa bela praia, construindo castelos na areia, e dividindo-os com meus amigos...
Quero achar que chicletes e gomas são as melhores coisas da vida!
Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de bola de trapos, ou uma corrida...
Quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia, era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, a “Batatinha quando nasce...” e a “Ave Maria...”,
e que isso não me incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor ideia de quantas coisas eu ainda não sabia.
Quero voltar ao tempo em que se era feliz, simplesmente porque se vivia na bendita ignorância da existência de coisas que podiam nos preocupar ou aborrecer...
Quero poder acreditar no poder dos sorrisos, dos agrados, das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia.
Quero estar convencido, de que tudo isso...
Vale muito mais do que o dinheiro!
A Partir de hoje, isto é com vocês, porque eu estou me demitindo da vida de adulto.
Agora, se você quiser discutir a questão, vai ter de me pegar...
PORQUE A QUESTÃO ESTÁ COM VOCÊ!!!
E para sair da questão só tem um jeito:
Demita-se, você também dessa sua vida chata de adulto,
Mandando esta mensagem a todos os seus amigos, principalmente aos mais sérios e preocupados.
NÃO TENHA
MEDO DE
SER FELIZ ! ! !
Claudia Lins
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domingo, 3 de abril de 2011
Quando você achou que eu não estava olhando

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IN ENGLISH: When You Thought I Wasn’t Looking
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Quando você achou que eu não estava olhando
Pendurou meu primeiro desenho na geladeira
E isso me deu vontade de pintar outro
Quando você achou que eu não estava olhando
Alimentou um gato na rua
E aprendi a ser gentil com os animais
Quando você achou que eu não estava olhando
Cozinhou um bolo de aniversário para mim
E entendi que pequenas coisas são coisas muito importantes
Quando você achou que eu não estava olhando
Você disse uma prece
E entendi que sempre haverá um Deus com que eu possa conversar
Quando você achou que eu não estava olhando
Me deu um beijo de boa-noite
E me senti amada.
Quando você achou que eu não estava olhando
Notei algumas lágrimas nos seus olhos
E soube que algumas coisas são dolorosas –
Mas que não há nada de errado em chorar
Quando você achou que eu não estava olhando
Você sorriu
E eu me senti linda
Quando você achou que eu não estava olhando –
eu olhei…
E quero dizer obrigada
Por tudo aquilo que fez
Quando você achou que eu não estava olhando
Tradução: Paulo Coelho
domingo, 13 de março de 2011
Sobreviver... ( Luto )

Sobreviver...
Há momentos que esquecer
É a única forma de sobreviver.
Os que foram são lembranças
E vem a dor...
São muitos os que me deixaram
E somente os sei em fotos amarelas
E objetos que os dizem.
Desfilam em minha memória
Os que abandonaram esse mundo.
E sofro a solidão dos que ficaram.
São muitos os sorrisos
Que não vejo.
Quem contará suas audicéias?
Um dia também eu serei lenda de alguém
Amarelado em retrato na parede.
O tempo é meu carrasco.
Esquecer a dor
É a única forma de sobreviver...
Meu pai morreu...
Minha mãe morreu...
Vó Mocinha morreu...
Vó Maximina morreu...
Meu sogro morreu...
Morreu Tio Artur
Tia Emília...
Luizinha...
Cristiane...
Nésio morreu...
Aloísio, meu irmão morreu...
Tia Arlete...
Tio Wilson...
Madalena morreu...
Tio Arnaldo...
Tio Maneca...
Geralda morreu...
Bonfim...
Tio Simões ...
Zezão morreu...
Tia Joaquina morreu...
Tio Petronio...
Rodrigo morreu...
E tantos outros...
Hoje minha tia e madrinha Maria morreu...
E um pouco de mim
Com todos eles...
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(Claudia Lins)
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