quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Criando um novo Eu a cada instante.





Nunca esqueci a primeira vez que a vi.  Foi em uma loja num bairro tradicional da cidade do Rio de Janeiro.  Uma senhora alta e elegante me chamou a atenção não só por sua aparência, mas, por aquela energia que só as pessoas normalmente de bem com a vida e consigo mesmas conseguem transmitir. 
Ela usava pouquíssima maquiagem, o suficiente para destacar sua beleza natural.  A pele clara e iluminada combinava perfeitamente com seus olhos azuis.   Cabelos brancos como a neve e macios como algodão, estavam presos em um coque alto e impecável, destacando ainda mais sua beleza.    A blusa com uma sutil transparência combinava com a calça de corte reto;  ambos, em tom pastel.  De gestos suaves, mas firmes ela me cumprimentou com um sorriso aberto seguido de algumas palavras bem colocadas e bem pronunciadas, em um tom de voz extremamente agradável, jovial e cheio de energia.
A naturalidade e a beleza daquela mulher, estampadas também nas pequenas rugas do rosto, refletiam a diferença em estar bem na própria pele sem a neurose de “querer parar o tempo”, assumindo elegantemente a idade que tem.     Como disse Coco Chanel: “Nada envelhece mais do que uma mulher tentando desesperadamente parecer mais jovem.”
Entretanto, nos dias de hoje a disseminação do uso de botox e das cirurgias plásticas tem causado grande corrida aos consultórios.   Não sou contra essas intervenções estéticas, mas me assusta a incontrolável busca por esses métodos  - sem a menor preocupação –  no intuito de segurar, controlar, prender uma “juventude datada”.  De Coco Chanel reproduzo outra frase: “A natureza lhe dá o rosto que você tem aos 20. A vida talha o rosto que você tem aos 30. Mas depende de você merecer o rosto dos 50.”
Negar a preciosidade do presente é negar a si mesma.   Nós somos o que escolhemos ser, o que vivemos e como vivemos, e assim, vamos esculpindo nossa vida, preferencialmente agregando algum valor, conhecimento e sabedoria a ela. 
Nada é permanente ao longo do tempo.   Essa impermanência – um princípio budista – opera diariamente em nossas vidas.  Tudo muda, tudo evolui recriando-se a cada instante.  Em alguns casos esse processo pode gerar em algumas pessoas profunda ansiedade e angústia… Ao negarmos isto, a experiência poderá ficar comprometida.
Recriar-se e reinventar-se são processos internos, contínuos.  Com o tempo, vamos aprendendo a lidar com o sentimento de desapego, a liberar as emoções… a cada novo pensamento, a cada novo movimento, a cada nova conquista que fazemos em  nossas vidas; criando um novo Eu a cada instante.

Adoro Reticências...







"Adoro Reticências...
Aqueles três pontos intermitentes que insistem em dizer
que nada está fechado, 
que nada acabou, que algo sempre está por vir!
A vida se faz assim!
Nada pronto, nada definido.
Tudo sempre em construção.
Tudo ainda por se dizer...
Nascendo...
Brotando...
Compartilhando...
Vivo assim...
Numa eterna reticência...
Para que colocar ponto final?
O que seria de nós sem a expectativa de continuação?"


Amor



Amor 
(Carlos Drummond de Andrade)

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. 
Pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.
Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Viver...




“O importante é querer estar junto,
 querer não desistir.
 Ninguém tem a obrigação de saber o que a gente pensa. 
O que as pessoas devem 
é respeitar o que pensamos, isso sim. 
E entenda: ninguém vai pensar como você 
porque ninguém sente como você. 
Não queira colocar uma fita métrica imaginária 
no coração do outro e medir vamos-ver-quem-ama-mais.
O amor não tem medidas, números, 
não cabe na balança. 
Cada um tem seu jeito, sua forma, sua personalidade. 
A gente tem que aceitar.
Não só o outro, mas a gente mesmo.
E viver.