quinta-feira, 31 de julho de 2008

Da minha janela



Da minha janela


Mar alto! Ondas quebradas e vencidas
Num soluçar aflito e murmurado...
Ovo de gaivotas, leve, imaculado,
Como neves nos píncaros nascidas!


Sol! Ave a tombar, asas já feridas,
Batendo ainda num arfar pausado...
Ó meu doce poente torturado
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!


Meu verso de Samain cheio de graça,
Inda não és clarão já és luar
Como branco lilás que se desfaça!


Amor! teu coração trago-o no peito...
Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...


(Florbela Espanca)




As sem-razões do amor



As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo. Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça E com amor não se paga.
Amor é dado de graça, É semeado no vento,
Na cachoeira no eclipse. Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários. Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim. Porque amor não se troca,
Nem se conjuga nem se ama. Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo. Amor é primo da morte,
E da morte vencedor, Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Naquela Mesa



naquela mesa ele sentava sempre
e me dizia sempre o que é viver melhor

naquela mesa ele contava histórias
que hoje na memória eu guardo e sei de cor

naquela mesa ele juntava gente
e contava contente o que fez de manhã
e nos seus olhos era tanto brilho
que mais que seu filho
eu fiquei seu fã

eu não sabia que doía tanto
uma mesa num canto, uma casa e um jardim

se eu soubesse o quanto dói a vida
essa dor tão doída, não doía assim

agora resta uma mesa na sala
e hoje ninguém mais fala do seu bandolim
naquela mesa ta faltando ele
e a saudade dele ta doendo em mim
naquela mesa ta faltando ele

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Estrelas...


Viagem



Oh! tristeza me desculpe
Estou de malas prontas
Hoje a poesia
Veio ao meu encontro
Já raiou o dia
Vamos viajar.
Vamos indo de carona
Na garupa leve
Do vento macio
Que vem caminhando
Desde muito longe
Lá do fim do mar.

Vamos visitar a estrela
Da manhã raiada
Que pensei perdida,
Pela madrugada
Mas que vai escondida
Querendo brincar.
Senta nessa nuvem clara,
Minha poesia,
Anda se prepara,
Traz uma cantiga
Vamos espalhando
Música no ar.

Olha quantas aves brancas,
Minha poesia
Dançam nossa valsa,
Pelo céu que o dia
Faz todo bordado
De raio de sol.
Oh! Poesia me ajude,
Vou colher avencas
Lírios, rosas, dálias
Pelos campos verdes
Que você batiza
De jardins do céu.

Mas pode ficar tranqüila,
Minha poesia,
Pois nós voltaremos
Numa estrela guia
Num clarão de lua
Quando serenar.
Ou talvez até quem sabe,
Nós só voltaremos
No cavalo baio
No alazão da noite
Cujo o nome é raio,
Raio de luar.


domingo, 20 de julho de 2008

Feliz dia do amigo



"Quando um amigo está em uma situação difícil,
não o aborreça perguntando se há algo que você possa fazer.
Pense em algo apropriado e faça."

( Edgar Watson Howe )


"Feliz dia do Amigo!!!"


Perguntei a um sábio ,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas ,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

William Shakespeare


"A Todos os meus amigos...Beijinhos de luz em seus corações!"
Claudia Lins


quinta-feira, 17 de julho de 2008

Ai quem me dera ...



Ai, quem me dera terminasse a espera
Retornasse o canto simples e sem fim
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim

Ai, quem me dera ver morrrer a fera
Ver nascer o anjo, ver brotar a flor
Ai, quem me dera uma manhã feliz
Ai, quem me dera uma estação de amor

Ah, se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem casais

Ai, quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afim
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim

Ai, quem me dera ouvir o nunca-mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E, finda a espera, ouvir na primavera
Alguém chamar por mim


sexta-feira, 11 de julho de 2008

Meu Porto Seguro



Acolhe-me em teu abraço,
com teu olhar me afirma:
aquele espaço a teu lado
é o porto da minha viagem,
meu lado do rio, minha margem.

Abriga-me no teu corpo
para que o meu se desdobre
em onda de mar ou concha.
Aceita-me e me recria
como nem eu me conheço:
em ti parece que chego
como uma coisa concreta,
algo que avança e se adianta,
e só assim se desdobra,
pois antes era miragem.

Recebe-me em duas partes:
aquela que o mundo avista,
e a outra, a verdadeira,
chão da tua sombra que passa,
e da tua luz que se planta.
Lya Luft

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Lembrete na Agenda



lembrete na agenda

todo sonho
se tece
com cautela.

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”

Mude, mas bem devagar...




Detesto
mudança a esmo
cada dia que passa
me transformo
em mim mesmo


(Solda)

Pensavas que era?



Estás neste mundo, mas não és deste mundo.
Então, a minha realidade terrena não é realidade nenhuma?
Pensavas que era?

(Neale Walsch)

O Mar e Eu



Gosto da robustez do teu corpo largo,
Dos amplos braços que me envolves e sacodes,
Levas-me contigo nas ondas férreas que tudo embala,
E eu contigo navego à deriva se não me acodes.

Ó mar, força sem rédeas não me destruas,
Deixa-me beber a beleza do sabor das areias,
Que contigo partilho em teu colo para onde me levas!...

Na terra sou alto e tudo controlo,
Dentro de ti sou pena que nada manobro,
Sou criatura inocente que no teu balancé me desprendo;
Nas manias de ti,
Nas forças de ti,
Nos humores de ti!...

Deixa-me contar-te um segredo:
Tu és forte, magnífico e soberbo…

Mas sou eu que dou a conhecer-te!..

Carlos Reis

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Ser normal cansa...



Normas, técnicas, linha reta...
Vamos esquecer isso.
Que tal jogarmos dentro do
balde das coisas pré-definidas
Uns dois ou três pensamentos tresloucados,
Mexer tudo com uma vontade louca de fazer diferente
E sermos felizes. É... Felizes!
PORQUE SER NORMAL CANSA ..."