quinta-feira, 31 de julho de 2008

Da minha janela



Da minha janela


Mar alto! Ondas quebradas e vencidas
Num soluçar aflito e murmurado...
Ovo de gaivotas, leve, imaculado,
Como neves nos píncaros nascidas!


Sol! Ave a tombar, asas já feridas,
Batendo ainda num arfar pausado...
Ó meu doce poente torturado
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!


Meu verso de Samain cheio de graça,
Inda não és clarão já és luar
Como branco lilás que se desfaça!


Amor! teu coração trago-o no peito...
Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...


(Florbela Espanca)




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